Notas literárias : Break’em up! , by Zephyr Teachout

Derrubando o Capitalismo

Quantos de nós já parámos para pensar em quantas empresas bilionárias havia há 20 anos atrás, e há 40? e quantas dessas empresas eram cartéis? que definiam a que preço os produtores podiam vender e a que preço os consumidores tinham de adquirir?

O capitalismo vendeu-nos a ideia que quanto mais liberdade lhe dermos e quanto mais deixarmos que os cidadaos sejam explorados, a mao invisivel do mercado irá agir de forma justa e idilicamente corrigir todas as desigualdades, enquanto garante que ninguém pode controlar o mercado pois as pessoas podem votar com as suas escolhas no supermercado.
Mas a realidade não é assim, a realidade é que o neoliberalismo mais do que permitir ele fomenta que se criem monopólios e mercados manipulados, pois são apenas ferramentas para que se possa maximizar o lucro.

Vivemos numa época em que cada vez mais vemos desaparecer o “local”, a empresa local, o sindicato local, o jornal local, o poder local. todos aassistimos á medida que eram realojados para niveis centrais de forma a que a emrpesa vendesse mais barato, que o jornal tivesse mais cobertura ou que o ministro fala-se em prol de uma região onde só vai passar férias e fazer campanha.

E quando esses cartéis controlam a industria farmaceutica? será que estamos dispostos a deixar que um CEO decida se temos ou não o o direito a viver?
E quando controlam a nossa informação pessoal? estamos confiantes de que não a irão vender para quem pagar mais de forma a alterar a nossas intenção de voto?
ou quando controlam a nossa alimentação? ou o nosso serviço de internet? ou algo tão importante para a nossa vida como as leis?

A economia tal como a evolução da humanidade estiveram durante os ultimos anos dependentes das decisões tomadas nos EUA, e mesmo hoje em dia com as mudanças que estamos a assistir a nivel politico-economico, as decisões da américa e em especial das suas empresas influenciam a vida das pessoas pelo restante globo tanto por criarem um modelo a seguir como por criarem as regras que os mercados irão seguir.

Ou seja, quando a américa permite que o facebook venda a nossa informação, isso significa toda a informação dos seus 3biliões de usuers. ou quando é permitido a fusão etre a monsanto e a Bayer isso irá impactar a qualidade da nossa comida.

Será que há soluções?

Mas se isso nos afecta proquê que não passa nas noticias? porquê que permitimos que os governos continuem a fazer operações ruinosas ou que o poder seja cada vez mais concentrado em meia duzia de bancos do que nas mãos das pessoas?

porquê que não exigimos que essas empresas sejam controladas ou até divididas? porquê que o mercado de dados móveis em portugal é controlado por 3 empresas que combinam os preços? ou porquê que os produtores nacionais são obrigados a ter de vender a sua mercadoria a um preço inferior ao custo porque a Sonae ou a jeronimo martins exigem?
porquê que os os jornais, canais de televisão e rádio são controlados também só por 3 empresas que todas mostram o seu amor pelos partidos que nos levaram a este desgoverno?

ós temos o poder e o dever de exigir uma sociedade em que as pessoas não têm de se humilhar para poder ter comida e tecto. Não podemos só pensar boicotar a compra de um produto, ou fazer 30 partilhas de um manifesto. precisamos de nos organizar, manifestar publicamente, acções diretas, contactar os nossos deputados representativos, organizar assembleias de cidadaos…..

 

Pode parecer que estamxs a falar de realidades impossiveis de se concretizar, mas tal como dissemxs no inicio há 50,20 anos atrás a realidade era muito diferente e a verdade é que as economias cresciam mais nesse periodo enquanto as pessoas tinham muito mais qualidade de vida?
será que até os acérrimos defensores do capitalismo esqueceram-se que o seu uso tinha o objectivo de melhorar a vida das pessoas e não de encher os bolsos a meia-duzia de individuos.

Estas são as duvidas que fizeram Zephyr Teachout escrever o livro “Break’em up”

Deixamos aqui o nosso resumo do livro…

1. chickenization of economy

Este termo que origina do método usado pelos distribuidores de galinhas nos US, onde 3 empresas controlam toda a distribuição e mantêm isso através de contractos abusivos, onde eles decidem todas as condições em que o agricultor tem de construir, manter a quinta, tal como alimentar etc etc, os preços são randomized(compram a um preço diferente a cada produtor), impondo controlos rigorosos para que a informação não possa circular entre os agricultores tal como proibem qualquer tipo de associação entre eles.
isto gera uma pressão imensa nos agricultores que ficam vulneraveis a todas as exigencias para poderem vender o seu produto ou arriscarem-se a não conseguir escoar, pois não exisgte competição a essas 3 empresas.
este processo que é de facto a centralização de todo o poder e capital nas empresas monopolistas enquanto os investidores privados apenas têm controlo sobre o trabalho e o risco que estão a tomar, está a ser o modelo usado pelas grandes empresas, como por exemplo a uber que apesar de passar a ideia de ser a grande revolucionária do mercado de táxis na verdade apenas criou um sistema em que não tem de seguir as mesmas regras que os taxistas, podendo assim destruir os negócios individuais e após de ganhar o poder sobre o mercado começa a pagar menos aos colaboradores que entretanto ficaram sem hipotese de trabalhar noutro sitio.
A esquerda politica continua a fazer um dos seus grandes objectivos, o aumento do salario minimo mas ignora o facto de que mesmo que se obriguq os patrões a pagar o salario minimo mais alto se estes forem obrigados por empresas maiores/mercado a cumprirem milhentas imposições, isto apenas incrementa o processo de destruição.
tal como o movimento com a proteção de dados continua a ser explorado pelo facto de ser permitido ás empresas que possam contornar estas leis através de criação de contractos mais injustos.

2. big tech government ambitions (google, Facebook, Amazon, Apple)

As prinicipais gigantes tecnologicas não esondem as suas ambições em controlarem tudo. E mesmo quando são chamadas a depoimentos a tribunal fazem-no segundo as suas imposições(zuckerberg decidiu como seria o processo, preguntas etc) e são tratados com tratamento especial em vez de serem tratados como Mafia, visto que se comportam da mesma maneira.
facebook vai passsar as decisões eticas para um departamento judicial da companhia, enquanto continua a vender a informação dos seus usuarios etc
Todas continuam a comprar antigos altos cargos dos governos americanos para fazer parte das suas hostes de forma a validar a sua forma de fazer negócio enquanto eliminam qualquer ameaça ou oposição á sua forma de existir, autoregular, e oprimir as pessoas.

3.jornalism was murdered

Durante anos o jornalismo local e dirigido ao trabalhador de classe média mantinha quem estava no poder sobre vigilancia e sobre pressão de não fazer algo muito errado, mantinha também uma conexão entre as pessoas e a sua comunidade. o jornalismo local grassroots sobrevivia através de um balanço entre publicidades, apoios do estado, subscrições/filantropia. o que lhes permitia estabelecer equipas de jornalismo que interagiam com as pessoas em cada bairro mesmo de cidades como NYC, e construir peças de jornalismo de investigação como o caso watergate que necessitvam de grandes equipas e especialmente de muitos recursos, mesmo a serem comercializados num jornal diario com um preço inferior a 2€ á peça.
Quando a facebook e a google começaram a entrar no mercado todos os jornais agradeceram por terem mais uma “plataforma” para distribuir o seu trabalho. Contudo eles não são uma plataforma. eles são empresas que fazem os seus biliões de lucro através de publicidade, e para o fazer dispoêm de bases de dados gigantes sobre cada um de nós o que permite que sejam ditadores do mercado neste momento. especialmente o facebook tem a maior base de dados individual de todos os big tech’s e de cada vez que faz uma mudança no seu feed para transformar num ambiente mais justo e saudável apenas esconde as suas ambições de dominar a sociedade. por exemplo o feed passou de esrictamente cronológico para orientado a passar primeiro a informação de paginas e organizações, depois com o escandalo das eleições de 2016 passou para dar mais relevancia a publicações individuais(exigindo que as organizações tivessem de pagar para serem vistas) e em 2019 passou para apenas algumas organizações que o fb confia a terem mais relevancia sobre as outras enquanto o facebok cria uma unidade de triagem das noticias que são publicadas mas sem nunca terem de assumir responsabilidade pelos seus actos ( como por exemplo, o facto do seu agoritmo continuar sistematicamente a apoiar posições de extremismo e ódio como Myanmar, Etiopia ou WW2.
Um exemplo do que este comité do facebook significa é que seria como se a mafia proposesse ao governo uma maneira alternativa de tratar os seus criminosos mais perigosos através da inclusão deles nos seus ranks enquanto davam dinheiro para a caridade.
o jornalismo que dependia das publicidades agora depende do fb para ter alguém a ler o seu jornal, isto ainda piorou depois do covid onde o fisico começou a ser descartado. e aqueles jornais que conseguem sobreviver são 1.aqueles que o facebook decide aprovar como relevantes(amigos),2. aqueles que têm milinorarios decididos a perder milhões em equipas de jornalismo(bezos, Murdoch),3. aqueles que vão conseguindo estar no limiar da sobrevivência ao pagar as publicidades astrónomicas e por fim aqueles que são direcionados para a classe alta disposta a pagar.
este tipo de controlo pode ser quebrado se as big tech’s forem partidas em diferentes ramos, em vez de caminharmos a passos largos para a centralização do mundo. não havendo qualquer proteção para os jornais ou para os leitores.

4. replacing justice with power

mainly about ‘Murica but a future in sight for the rest of the world.
O poder de trazer pra os tribunais situações de abuso de poder por parte de uma empresa tanto contra o trabalhador, ou contra outro negocio fez com que durante anos as empresas tivessem de respeitar uma série de leis inconvenientes para os monopólios e que as leis evoluissem conforme as necessidades da sociedade, contudo na ‘murica após terem sido criados os centros de arbitrio (em potugal há umas cenas parecidas mas com muito menos poder), onde as decisões são feitas á porta fechada, sem direito a juri, o arbitador não tem o conhecimento/imparcialidade de um juiz e os arbitadores são pagos pelas partes envolvidas.
este facto criou um elemento que as empresas começaram a explorar através daqueles waivers que assinamos nos termos e condições dos contratos de trabalho e transformando-se em modelos cada vez mais draconianos, onde os monopolistas impoem que todos os casos apenas têm de ser tratados nos centros de arbitrio , não pode haver sindicatos ou casos em comum, o perdedor do litigio tem de pagar todas as despesas do processo, o processo acontece assim sempre nos termos da empresa….
isto faz com que empresas como a amazon, visa, Amex etc criem modelos de negocio que mesmo que infrinjam leis ou direitos humanos, não lhes tragam repercurssões porque nunca chegam a tribunal e eles pagam o arbitador. E quando a maioria dos produtos no mercado são vendidos por apenas algumas empresas isso significa que não existe a hipótese de escolhermos um contracto justo, porque a estrutura do mercado está construida de forma a que não possa haver uma real escolha fora do cartel, como por exemplo em portugal com as operadoras de dados moveis.

Neoliberals treat choice as a binary; you either have it or you don’t. neoliberal thinkers do not look under the hood of previous pressures and realities of a particular contract situation. if you sign a contract, the presumption is that you signed it freely, and freedom is treated as a formal matter instead of a contextual one.

5. corporate political spending

uma sociedade precisa que as suas pessoas sejam livres para votar em quem entenderem, de se associarem conforme os seus interesses e acima de tudo de poder falar e agir sobre essas decisões.
contudo cda vez mais o poder começa a ser centralizado em vez de estar em pequenas organizações locais, e como os orgãos de poder deixam de supervisionar o que se passa nos micromundos locais e começam a tornar rotina sermos abusados no macromundo esssa realidade está a ser posta em causa. hoje em dia os politicos são cada vez mais, apenasa voz das empresas, eles não têm ideias nem ambições, apenas defendem tudo aquilo que os seus patrocinadores lhes dizem para defender, aliás visto que todo o gasto politico para os eleger é feito muitas vezes de forma privada sem que os politicos tenham ordem no que lhe és dito que tem de defender (por exemplo na america muitas das publicidades são dirigidas directamente pelas Super-PACs), tal como cada vez mais acontece com os sindicatos (unions) onde são controlados por politicos ou empresas e apenas vociferam discursos feitos por CEO’s contentando-se com miseros aumentos no salário sem exigir mudanças estruturais. Para além disso começa agora a surgir a nova ameaça trazida pelo surveillance capitalism onde as empresas como a google fb etc criam software e possibilidades de nos podem controlar o que cada um está a seguir e a interagir politicamente e comunicar com os nossos patroes (estas tecnologias já estão em pratica nos USA)e os nossos patroes podem então nos indicar para quem devemos fazer campanha ou então encontrarmos a possibilidade de sermos demitidos(isto também acontece na américa onde é exigida a presença de trabalhadores em eventos politicos).
Pior ainda é que esta realidade nem tem de ser formalmente aplicada para que se sinta os seus efeitos, pois apenas a ameaça de perdermos o emprego pode fazer as pessoas acatarem estas indicações.

6.race and monopoly power

“monopoly is also a form of politics , a concentration of private power whose leaders can use all sorts of mechanisms to achieve their ends , including cutting a deal with a segment of society – Whites – to abuse power in exchage for certain privileges and guarantees in pursuing business interests.”

desde o fim da escravatura que o poder politico trabalhou de forma indirecta para incrementar as fissuras sociais entre povos minotritários, desde as oportunidades para ter credito, abrir negócio ou mesmo para poder votar.
Na década de 60 era evidente na sociedadeque ao mesmo tempo que surgiam de grandes movimentos anti racismo , existia também flora crescente de negocios geridos por afro americanos e outras minorias, o que fomentava assim uma cultura e economia mais diversa. mesmo quando muitos dos donos desses negocios se identificavam como republicanos, foi graças a eles que poderam ser alanvacados os grandes movimentos pelos direitos civis, tanto pelo facto de darem um espaço seguro para minorias conviverem tal como por terem uma segurança financeira. contudo hoje em dia é cada vez menos possivel para minorias consegirem sequer abrir o seu negocio, e mesmo em sitios onde suposamente existe um nivel muito alto de negocios afro americanos é escondido o o facto de se tratar maioritariamente de franchises onde são sujeitos a regras discriminatórias que apenas lhes permite ter o lucro suficiente para não morrer á fome.
Big White Tech e outras grandes empresas financiam medidas, propostas de lei e pseudo organizações para que se mantenha o status quo ou que aumente o nivel de discriminação, pelo simples facto que caso haja mais diversidade no poder/sociedade torna-se mais dificil controlar as decisões em seu favor. Até fora dos movimentos de bastidores as techies continuam a ser discriminatórias e a recusarem a fazer algo relevante sobre isso, escondendo-se atrás dos erros da machine learning sobre o qual não pode haver responsabilidade, mesmo que esse machine learning tenha sido construido por um racista e que seja mantido e controlado por um racista. Nas várias vezes que são apanhados em flagrante como nos resultado da pesquisa da google(o google search antes não curtia de mulheres negras e a google apagou essas hipoteses mas não alterou o algoritmo) as suas medidas são apenas em apagar esse erro de PR mas continuar sem modificar o algoritmo ou o ambiente de trabalho que é superiormente branco, discriminatório e sem escrupulos.

7.the wage misery

segundo a teoria neoliberal dominante no mundo, ao existir um mercado livre em que as empresas possam competir livemente, sem intervenção do estado quando aumentarem o seu nivel de eficiencia e lucros estas irão começar a pagar mais aos seus colaboradores de forma a não perder capital humano e trabalhadores eficientes, contudo o que está a acontecer é que o mercado é cada vez mais gerido por meia duzia de empresas/fundos de investimento. o que significa que estas podem-se organizar de forma a continuar a pagar ordenados miseraveis ás pessoas porque mesmo que as pessoas deixem de trabalhar numa empresa todas as suas concorrentes não vão estar a pagar mais.
Isto é a razão por detrás do gap cada vez maior entre o salario dos funcionários e o dos CEO’s, porque quando as empresas conseguem atingir niveis ilegais de poder começam a suprimir salários e beneficios, e a contornar as regras do tal mercado livre. comportando-se mais como donos disto tudo do que competidores(monopsony).
cria-se assim uma espiral negativa, trabalhadores a receber pouco, poupam pouco, e caem em sistemas de pobreza ou divida aos credores, o que por sua vez faz com que a capacidade do trabalhador individual de lutar por melhores direitos seja muito mais dificil e com consequencias muito mais graves do que para a empresa esclavagista.
por outro lado o facto de nos sentirmos desempoderados e inuteis transforma a nossa experiencia com o mundo, tirando ás pessoas a sua liberdade e humanidade.

um dos factos esquecidos do surveilance capitalism é o controlo dos trabalhadores, empresas como uber, google etc controlam todas as interações dos seus trabalhadores de forma supostamente anonima e impessoal mas ainda assim é mais um factor de pressão sobre os trbalhadores que cada vez mais nem sequer têm direito a um contracto directo com a empresa. trabalhando em trabalhos temporários que permitem um rigor ainda mais baixo pela decência das condicôes de trabalho.
Sindicatos e uniões de trabalhadores deveriam ser um dos bastioes de poder dos trabalhadores mas infelizmente estes teem cada vez mais o seu poder diminuido e mesmo em situações em que podem intervir estes limitam-se a pedir novas condicões de trabalho para os proximos 5 anos ou promessas de, e não são exigidas mudanças estruturais aos carteis que exploram os direitos dos trabalhadores, enquanto isso as empresas percebem o poder destas organizações, fazendo campanhas de punições contra quem se juntar a elas e ao mesmo tempo iludindo-as com promessas que nunca são cumprindas, pois quando só 3 empresas controlam o mercado há muito pouco que uma greve consiga alcançar.
este estado de calamidade em que deixamos passar ao lado as aflições e ataque aos direitos do trabalhador aconteceu devido ao que os amigos neoliberais nos ensinam que se os ordenados forem mais baixos os consumidores irão em troca receber um produto mais barato, mas nós não somos nunca só trabalhadores nem as empresas se vão negar a um lucro extra.

8.money power

tal como existiu o poder da aristocracia ou da burocracia também existe o poder do dinheiro que se infiltra e corrompe toda a sociedaade á sua volta.
o poder do dinheiro só pode existir quando é permitido que o capital/dinheiro seja concentrado em apenas alguns individuos/fundos de investimento enquanto 99% da sociedade é esmagada pela miseria.
O poder que o mercado financeiro tem sobre o mundo á nossa volta é equivalente ao poder que governa o poder que conseguimos ver nas instituições politicas.
mercado financeiro(wall street) acumula todo este poder/influência ao reforçar monopolios e as desigualidades, como por exemplo o Warren Buffet faz, ao investir em monopolios e oligopolios, porque se um mercado for competitivo não é lucrativo o suficiente. este tipo de interferência faz com que os mesmos interesses se encontrem em vários mercados, e que cordenem ou evitem lutas entre si, por exemplo duas empress com laços a buffet/outro fundo de investimento irão tentar evitar competir entre si de forma que os investidores possam ter mais lucro. este ciclo funciona da seguinte maneira:

1- a promessa de monopolio atrai excesso de investimento, mesmo que como no caso da UBER ou amazon seja através de perdas monumentais nos primeiros anos.
2-com esse investimento a empresa pode começar a usar preços abaixo do custo de produção para expulsar a concorrencia do mercado, e ganhar subsidios do estado porque são as empresas mais competitivas,(forçando aqui ainda mais a diferença entre a competição).
3-apenas as maiores empresas ganham a grande maioria dos subsidios, com o qual elas usam para acabar com a competição e reinvestir nos poderes politicos.
4-depois usam esse poder ganho através de investimento na politica para bloquear leis incovenientes e influenciar a aplicação de impostos
5-sem ter de cumprir com leis reguladoras de mercado ou ter de pagar impostos de forma justa, as empresas podem continuar a estimular o poder monopolista e a captivar mais reinvestimento.

O mercado de capital precisa de ser partido e regulado de forma a que este tipo de estratégia não possa acontecer. porque se não haver monopolistas é possivel ter um mercado mais diverso e onde os privados podem usar o seu poder financeiro para investir em melhores produtos.

9.you don’t need to boycott them

quando as pessoas houvem criticar uma má pratica de uma companhia ou posição, a primeira opção jogada para cima da mesa é sempre que se faça um boycote aos seus produtos. mas esta posição é geralmente nada efectiva e mais do que isso, é uma acção que corroi o ativismo directo pois gasta energia/motivação/tempo que poderia estar a ser em protestos, e cria um pensamento de auto justificação(onde as pessoas pensam que isso é o suficiente). para se exigir que as empresas privadas mudem as suas acção não é necessário que deixemos de adquirir os seus produtos por completo, o boicote é apenas uma ferramenta para fazer a discussão chegar a niveis politicos mais altos, para que possam então exigir medidas mais coercivas para regular as empresas.
este tipo de pensamento em que o consumidor é mais importante do que o cidadão, onde devemos votar as nossas escolhas ideológicas e exigências no supermercado em vez de ser no boletim de votos, consegue assim distrair-nos do que é realmente importante enquanto garante a continuação da visão neoliberal de supremacia de mercado, fazendo parecer que o consumidor detem algum poder sobre o mercado monopolizado enquanto as empresas atiram areia para os olhos como medidas como o amazon smile ;angariação de fundos do facebook; uma ligeira mudança nas regras de privacidade, ou em muitos casos ignorando completamente essas pequenas manifestaações, pois já sabem que rapidamente os protestantes se irão cansar (especialmente com o advento online) e em casos de bens essencciais como google, facebook etc a taxa de retorno é muito alta.
Aceitando as grandes empresas como parceiras ao não desafiarmos o seu dominio sobre as nossas vidas, estas pequenas falsas vitorias servem apenas para legitimar essas empresas a continuar o mesmo modelo.

10.tools

depois de um capitulo inteiro a falar da historia das politicas antimonopolio e de regulamentação de mercado(antitrust) na ultima parte do capitulo é passado uma série de possiveis medidas:

every company can’t have more than 10% of market share,
neutrality for web platforms and ban big tech from using data gleaned from their market places to compete against the companies that use their services.
ban targeted ads,
block common ownership from wall street so that a few investors can’t control huge swaths of the economy,
rewrite corporate laws so that workers have a voice in decision making and profit doens change everything.
nacionalizando partes da big tech que são demasiado essenciais para a nossa vida em sociedade e que por isso deveriam sair da esfera privada como o correio ou a água.
identificando por fim que a maior dificuldade não é em encontrar soluçoes mas sim em combater a passividade que se impoe na sociedade de hoje, e chamar pessoas ás ruas e aos gabinetes daqueles com o poder para tal.
fazendo no final um optimo resumo das razões pelas quais são necessárias mais acções neste sentido.

 11. nacionalizar ou decentralizar

estas duas noções devem fazer parte da espinha dorsal de qualquer movimento para uma sociedade mais justa e livre de monopólios ou cartéis, tendo em conta que nacionalizar e descentralizar são a melhor opção mas na maioria dos casos precisam assim de funcionar em conjunto.
do 1º paragrafo: se quisessemos encontrar o melhor modelo de negócio para magoar, insolver e matar o máximo numero de pessoas, iriamos encontrar industria farmacêutica e da energia fossil.

este capitulo é um shout out ao green new deal e medicare for all.
ao contrário de toda e qualquer tradição no campo da medicina hoje em dia os preços que as industrias farmacêuticas praticam são mais altos do que o suportável ou aliás mais alto do que o imaginável, colocando a saude das pessoas em risco. Este mercado é dominado por praticas como “evergreening”(soltar o mesmo medicamento quase sem diferença para manter a patente) obstruir financeiramente a entrada no mercado de novos produtos/inovações/concorrentes, enquanto o mercado continua com praticas criminosas e apenas recebem multas no valor de menos de 0.1% dos lucros anuais.
uma reconstrução deste mercado é essencial, não pode passar só por passar a ter um serviço nacional robusto mas também um mercado competitivo, regulado.
o negocio da saude foi permitido chegar a este ponto através do estado com os seus subsididos e copyrights mas uma coisa é estruturalmente diferente deste mercado do que p.e. o mercado da cerveja ou o dos carros. NA MELHOR DAS HIPOTESES QUANDO UMA PESSOA PRECISA DE AJUDA MÉDICA ESTÁ SEMPRE NUMA CRISE.
reformular as patentes e desinvestir os produtores dos principais medicamentos é urgente.
tal como é regular toda a industria desde o produtor até aos hospitais.
A energia funciona sobre premissas semelhantes onde as gigantes da energia financiam universidades e partidos politicos, enquanto bloqueiam a entrada no mercado de novos concorrentes, bloqueiam o funcionamento do consumidor produtor de energias renovaveis,etc….. enquanto fazem um greenwashing das brands tentanto se posicionar como empresas verdes por terem 2% de renovaveis no seu portfolio. nestes mercados chave todos os ensinamentos deste livro mais do que aplicáveis eles tornam-se de caracter imperioso e urgente de serem impostos.

12.moral markets

tal como exposto desde o inicio do livro(ou talvez desde o inicio da historia humana) é demonstrado como o poder corrompe os seres humanos e como a diversidade fortalece a sociedade. ao mantermos esta sociedade em que os muitos obedecem aos poucos, não conseguimos ser livres, não temos a liberdade de poder dizer ao nosso patrão que se vá foder e saber que mesmo assim vamos sobreviver.
todos os seres humanos merecem ter um minimo de liberdade na sua vida pessoal e profissional. Caso a economia impossibilite ás pessoas fazerem uma escolha com dignidade isso irá fazer com que as pessoas se esquecam dos seus direitos e deveres, que comecem a desconectar da sociedade e que comecem a cultivar raiva pela sua vida( que posteriormente têm vindo a ser aproveitada pelos movimentos populistas de extrema direita). é necessário um vida com moralidade e responsabilidade, não só no dia de voto ou na conversa de esquina mas em cada aspecto da nossa vida. devemos procurar criar uma economia onde as pessoas que produzem, as que compram, as que vendem e as que interagem entre si, fazem-no apartir de uma posição de dignidadde com poder suficiente para saber que são importantes.
a luta por uma economia mais justa é necessariamente uma luta pela natureza humana, nós podemos ser humanos e agir com compaixão mas precisamos de ter estructuras que suportem, ensinem e amplifiquem essas tendencias.
precisamos de ultrapassar o pensamento que apenas podemos ter felicidade ou dignidade fora do sitio onde passamos 8 horas ou mais por dia. pecisamos de compreender que trabalhar para ter lucro e maximizar o lucro são duas ideias completamente distintas ( tal como comparar um casamento onde o sexo é valorizado e outro onde o sexo é maximizado em detremimento de tudo o resto), é necessário atacar os males do mercado(comodificação de vidas humanas, financialização de todos os aspectos da vida e monopolização) e não tratar o mercado como se fosse um ser demoniaco.

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